Londres
Autores: William Blake; Charles Lamb; Charles Dickens; George Eliot; Henry James; Amy Lowell
Tradução: Lourença Baldaque
Formato: 13×20 (cm)
Número de páginas: 64 págs.
ISBN: 9789895346769
1ª Edição: Agosto de 2026
A presente edição propõe um percurso por diferentes representações literárias de Londres, entre o final do século xviii e início do século xx, reunindo autores que, em contextos e estilos diversos, observaram e interpretaram a cidade enquanto espaço físico, social e simbólico.
Os textos seleccionados para esta edição, sugerem um conjunto de leituras possíveis, através de olhares literários singulares, marcados pela experiência da modernidade urbana, dos contrastes sociais e da vida quotidiana.
Os autores aqui reunidos — William Blake, Charles Lamb, Charles Dickens, George Eliot, Henry James e Amy Lowell — são maioritariamente britânicos, com excepção de Henry James e Amy Lowell, escritores norte-americanos que tiveram uma relação distinta com Londres.
Passeios Nocturnos | Charles Dickens
Há alguns anos, uma incapacidade temporária em dormir, causada por uma impressão angustiante, levou-me a vaguear pelas ruas durante toda a noite, por várias noites seguidas. A desordem podia ter levado muito tempo a ser vencida, se tivesse sido combatida de forma branda, na cama; mas foi rapidamente derrotada pelo tratamento enérgico de me levantar logo após me deitar, sair e regressar a casa cansado ao nascer do sol. Durante essas noites, concluí a minha educação numa razoável experiência amadora de sem-abrigo. Sendo o meu principal objectivo passar a noite, essa procura levou-me a criar ligações de empatia com pessoas para quem esse é o único objectivo, todas as noites do ano.
Era o mês de Março, e o tempo estava húmido, encoberto e frio. Como o sol só nascia depois das cinco e meia, a perspectiva da noite parecia suficientemente longa por volta da meia-noite e meia, que era, mais ou menos, a hora a que eu a enfrentava.
A inquietação de uma grande cidade, e a forma como ela se agita e se revira antes de conseguir adormecer, foi um dos primeiros espectáculos oferecidos à contemplação dos que, como nós, não tinham abrigo. Durou cerca de duas horas. Perdemos boa parte da companhia quando os bares nocturnos apagaram as luzes e quando os empregados de balcão expulsaram os últimos bêbedos arruaceiros para a rua; mas, depois disso, ainda nos restaram os veículos e as pessoas que vagueavam. Se tivéssemos muita sorte, o apito de um polícia soava e uma confusão aparecia; mas, em geral, surpreendentemente pouco dessa diversão nos era proporcionado. Excepto no Haymarket, que é a zona mais mal conservada de Londres, e na Kent Street no Borough, e ao longo de uma parte da Old Kent-road, a paz raramente era perturbada de forma violenta.




